“...a grande infelicidade de nossa cultura é o fato de
sermos estranhamente incapazes de perceber os nossos próprios sentimentos, quer
dizer, sentir as coisas que nos dizem respeito. Vemos com tanta frequência
pessoas passarem por cima de acontecimentos ou experiências sem perceberem o
que de fato ocorreu com elas. Pois não percebem que têm uma reação de
sentimento. Na maior parte das vezes sentem apenas o que chamamos de afeto, uma
emoção acompanhada de sintomas fisiológicos colaterais. Quer dizer: uma atividade
cardíaca aumentada, uma respiração acelerada, fenômenos motores - é isso que
sentem. Mas quando se trata de uma reação de sentimento, muitas vezes nem o
percebem, pois a reação de sentimento não vem acompanhada de fenômenos
psicofísicos” (JUNG, Sobre Sentimentos e
a Sombra: sessões de Winterthur,
Editora Vozes, 2014, p. 10).