Por exemplo, eu posso identificar uma cor, e outra pessoa, sem saber, fazer a mesma indicação. Pode-se argumentar: "E agora? Duas pessoas diferentes (e podem ser inclusive de países em lados opostos do mundo) tiveram a mesma percepção, logo a cor é a mesma!. Ledo engano, as duas podem estar percebendo o mesmo espectro luminoso, porém com nuances diferentes. E se compararem com uma palheta de cores, vão coincidir nas cores porque os matizes pessoais serão semelhantes ao que estarão percebendo na palheta.
Ora, como nossa visão de mundo é resultante do conjunto de percepções que configuram nosso psiquismo, todos temos a nossa própria e ela nunca será igual a de outra pessoa. Isso produz as divergências que são comuns na convivência, mesmo entre aqueles que professam crenças e atividades semelhantes.
Esse relativismo perceptivo está na base de nossas diferenças relacionais, em todo o campo de atividade que caracteriza a sociedade humana. E ele deve conduzir cada um de nós a ter sempre em mente que, sendo o percebido individual e intransferível, a "verdade" como algo em si, não pode existir (e mesmo que existisse seria impossível de ser apreendida, dado o fato de que nosso sistema nervoso precisaria ser de uma qualidade 100% precisa, 100% do tempo); mas existe sim "nossa" verdade, a qual é fruto da filosofia de vida, que o conjunto das nossas representações (o qual forma nossa experiência existencial), e que serve para nortear nossa existência. É claro que podemos aprimorar nossa filosofia de vida, confrontando as nossas representações sobre assuntos específicos, com as representações que outros nos transmitem através da palavra escrita, falada ou comunicações artísticas. Mas temos de estar cientes que o que entendemos das representações expostas é apenas isso: nosso entendimento do que nos foi comunicado, mas sem que seja exatamente o que o outro realmente comunicou. Nossa percepção das representações alheias tem a ver com a nossa visão de mundo, o que nos faz "entender" aquilo que se afina com nosso modo de ser, sentir e pensar.
Concluindo: como não temos certeza absoluta de que nossas representações refletem aquilo que foi por nós percebido, isso nos obriga a uma reflexão constante sobre o fato de que o que pensamos sobre o mundo, seus fenômenos e as pessoas com quem interagimos breve ou constantemente, são pensamentos próprios e que podem nada ter a ver como a realidade em si. Enfim, como disse Einstein, a percebpção de tudo o que acontece é relativo a quem observa. Ou seja, o que observamos é "nossa" verdade, nada mais que isso.
Muito bom!
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