Algo contra o qual devemos nos precaver é o fanatismo.
Fanático é uma pessoa que somente enxerga a vida de uma única maneira, e exclui
todas as outras. Ele pensa, sente e age dentro de um círculo exclusivo e
exclusivista. Tudo o que concorda com sua maneira de ver e sentir é certo, tudo
mais não presta. Ele é o dono exclusivo da verdade.
O fanático é inquisidor,
intolerante e capaz dos mais baixos e cruéis atos contra quem tem a ousadia de
divergir dele. Por isso o fanático tem um viés sociopata e, se a situação
social torna-se favorável, ele integra o bando dos verdugos, torturadores, acusadores,
delatores e espiões. A História está cheia de exemplos do que os fanáticos
podem fazer, e fazem, quando podem.
O fanatismo é uma grave psicopatia. É a unilateralidade
absoluta da psiquê, e requer tratamento psiquiátrico, concomitante com o
psicológico. O problema é que ele, como muitos doentes mentais, não admite sua
doença e recusa tratamento. O fanático vive escondido atrás de um biombo
ideológico para se proteger. Ele tem medo de abrir a mente e descobrir que está
errado. Esta idéia o deixa em pânico, portanto se agarra ferreamente a seus
conceitos, agarrando-se desesperadamente ao círculo fechado dos que pensam e
sentem como ele. Somente assim se sente em segurança.
O fanático é como aquela mãe que assistia ao desfile do
exército na parada de sete de setembro, olhando orgulhosa o filho que, fardado,
desfilava com a tropa. O rapaz está com o passo diferente de todos os demais.
Ela, então, virando-se para alguém que está ao lado, diz com satisfação:
"Aquele é meu filho! Observe, é o único que está marchando com o
passo certo!". O fanático distorce a realidade, sofisma e mente,
procurando transformar o falso em verdadeiro, a qualquer custo.
Para evitar o fanatismo devemos sempre pensar que não existe
"verdade absoluta". Toda verdade tem limites. Admitir isso abre-nos a
mente para outros conceitos e possibilidades, evitando a estagnação das ideias.
Will Durant, no seu "Filosofia da Vida", escreve o seguinte:
"A filosofia começa quando aprendemos a duvidar de nossas crenças , principalmente
as que nos são mais queridas". Sendo capazes de entender que toda verdade
é relativa, evitamos o fanatismo, por termos a humildade de admitir e
existência de outras verdades, tão importantes quanto aquela na qual
acreditamos. E, finalmente, nunca discuta com um fanático, é perda de tempo.
Tenha compaixão dele, é um doente que se acha o único saudável, no mundo.
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