O passado não é uma
entidade física; em outras palavras, ele não é uma entidade real. O passado
existe apenas como consequência.
Senão, vejamos: se eu deixei de cumprir uma tarefa importante, hoje, amanhã ao
ser cobrado por ela, terei de confessar que não a fiz, e arcar com as
consequências do não ter realizado a minha obrigação. Mas o passado em si, isto
é, o momento em que eu devia ter
feito a tarefa nem existe nem nunca voltará a existir. Caso eu consiga uma nova
oportunidade, ou seja obrigado a realizar o que não fiz, será um novo momento, uma
nova situação, uma nova realidade. O momento em que a tarefa deveria ter sido
feita, perdeu-se para sempre, e nunca retornará fisicamente, apenas poderá ser
evocado como lembrança. Caso tenha sido registrado em vídeo, o momento, poderá
ser repetido, como na evocação da memória, vezes sem conta, mas sem qualquer
resultado prático que não o da lamentação da oportunidade esperdiçada. E
lamentar a oportunidade perdida adiantará alguma coisa? Claro que não! Duas
coisas situações como a que aventei requerem: a) que se arque com as consequências
da irresponsabilidade, pagando o preço requerido pela falta e, b) tomar-se uma
atitude: nunca mais deixar de fazer aquilo pelo que se responsabilizou ou que
se é responsável.
O que se fez ou se
deixou de fazer não tem retorno. Ninguém pode apagar o passado. Ele está fora
do alcance, para sempre. Somente se pode fazer, ou não fazer, em oportunidade
semelhante, o que foi ou não, realizado. Mas nunca será a mesma coisa. Pode até
parecer que é, mas realmente é uma nova atitude, uma nova realização.
Naturalmente ela estará pautada pela experiência
que se adquiriu com a ação, ou não ação, realizada.
Em nossa vida, devemos
ter o passado como repositório de lições aprendidas, de experiências
adquiridas, para usar quando a vida nos colocar em situações assemelhadas. Mas
sempre lembrando que todo e qualquer conhecimento, como toda e qualquer
experiência, devem ser aplicados de forma atualizada, qual seja, adequado ao
momento presente, pois no passado o que se fez ou não fez acorreu dentro de uma
realidade específica, com suas peculiaridades do momento. No presente, existe
uma nova configuração de circunstâncias que deve ser levada em conta.
Mas, um ponto é
essencial: nunca se deve lamenta o passado. Isto é perder tempo. Nem deve-se
usá-lo como um fator de arrependimento, ou de manutenção de um estado psíquico
de culpa. Nada se ganha com isso, ao contrário, se perde tempo e possibilidade
de realizar, ou não, no agora que passa célere.
Busquemos retirar de
nossos raciocínios e discursos, expressões como: “Eu (ou você) não deveria ter
feito isso!”; ora, se uma coisa foi feita, como não deveria tê-lo sido? A
reclamação não tem o menor sentido, a não ser o de impor culpa ou humilhar, mas
nada. Nem pedagogicamente é positiva. Dever-se-ia, sim, pontuar o que foi
realizado, ou não, de uma maneira propositiva: “De agora em diante não faça da
mesma forma, mas dessa outra”! Aqui existem uma forma educativa e
transformadora. O passado servindo para melhorar o presente ou o futuro, em
circunstâncias parecidas.
Pode-se inquirir por quê
alguém, ou nós próprios, fizemos ou não algo, objetivando a conscientização dos
motivos da ação ou não ação, realizada. E, dessa forma, orientar melhor,
ensinando a nós ou ao outro, como raciocinar diante de situações parecidas ou
não, levando em conta a maioria dos detalhes, a fim de se agir da forma mais
correta possível.
Em suma, nunca se
permita perder tempo com o passado. Use-o, seja para você ou para os outros, como
forma de esclarecimento e aprendizado a ser aplicado nos seus presentes. E não
estranhe eu ter colocado presente no plural; fiz propositadamente, porque não
existe um presente; mas uma sucessão
extremamente rápida de presentes.
Você pode testar isso: diga lentamente a palavra presente... O que aconteceu? Enquanto você falava ela ia
mergulhando no passado. Ao terminar, o presente
pronunciado não mais fazia parte do seu presente. Como ocorre agora com o que
você está lendo. A leitura já esta quase toda no passado. Você poderá reler, é
verdade, mas agora numa outra circunstância: a de aprofundar, ou recordar, o
que foi antes lido. Não mais terá o sabor da primeira vez. Afinal, toda primeira
vez, como qualquer coisa em nossa vida, somente ocorre uma única e
irrepetível vez. Assim, aproveite bem o seu agora, para nunca ter de
lamentá-lo, nem se punir por ele, com seu remorso.
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