terça-feira, 25 de junho de 2019

O Inconsciente

O inconsciente é a matriz fundamental de toda a vida. É ele que produz e mantém o organismo; que elabora a consciência e o ego, os quais nos tornam capazes de saber quem e o que somos, a todo instante. Por ser a origem da consciência, e de nossa própria existência, é que o inconsciente é todo poderoso, e quanto mais o ego o ignora, mais poderoso ele se torna, e mais perigoso. Dessa última afirmação é que se inicia o tema deste capítulo. A consciência surgiu da necessidade do inconsciente se tornar consciente de si mesmo.
Observe como a vida evoluiu: no início, da matéria inorgânica surgiu a matéria orgânica, e desta, os seres vivos. Existe uma pulsão intrínseca á base do universo, que o faz surgir de uma singularidade indiferenciada e, através de constantes mutações, atingir a complexidade fenomênica que hoje conhecemos, e a que ainda desconhecemos, mas de cuja existência desconfiamos.
Que impulso fundamental é esse, que obriga tudo o que existe a ciclos de surgimentos e transformações? Sem dúvida é uma força inconsciente, mas com um desígnio, um propósito. Quando acompanhamos o fluxo evolutivo, tanto do universo como um todo, quanto das partes que o compõem, percebemos um processo teleológico, que já foi chamado de vontade divina, enteléquia, acaso e necessidade, vontade, ideia etc.
De minha parte, imagino que existe um arquétipo fundamental, que muitos chamam de Deus, Alá, Brahma, Mulungu etc., que dá origem ao universo e lhe impõe o desígnio da diferenciação e do progresso rumo à autoconsciência, Isto é, à descoberta da própria existência. Em cada um de nós esse desígnio se realiza, a ponto de podermos afirmar que os seres conscientes representam variadas maneiras pelas quais a pulsão inconsciente desperta, tomando consciência de si, de múltiplas formas e de variadas perspectivas.
Saindo dessa especulação metafísica, que julguei necessária, continuemos com o nosso tema. A vida surge e se desenvolve por imposição do inconsciente, que busca a consciência de si, volto a afirmar. Por isso, nosso desenvolvimento requer que nos esforcemos para ampliar a consciência, integrando a ela os conteúdos do inconsciente. Na verdade, isto vem ocorrendo, inconscientemente, em nossa existência desde sempre. Todos nascemos inconscientes, mas gradualmente vamos nos tornando conscientes, a ponto de tomarmos atitudes que tentam se opor ao inconsciente, com algum êxito, mas com consequências, algumas vezes, desastrosas (Djalma Argollo, Viver conscientemente, Publicado na AMAZON, pp. 133-164).

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