Um sentimento poderoso é, sem qualquer dúvida, a raiva. Como toda emoção ela nos toma, e se impõe de tal maneira, que temos de despender muita energia para conte-la. Mas, não se deve, a não ser em circunstâncias em que poderíamos nos comprometer de maneira inadequada, cerceá-la a qualquer custo. Todavia é possível deixá-la fluir por outros canais, não apenas mais apropriados, mas até salutares, como correr, fazer Crossfit, esmurrar um saco de areia etc.
A raiva está ligada ao instinto de conservação, ao atacar ou fugir etc. Logo é das emoções mais primitivas que existem. E não tem essa de querer “dominar a raiva”, ela vai sempre explodir, seja no objeto que lhe serviu de gatilho, seja num bode expiatório qualquer, animado ou inanimado. Jesus, no Templo, ameaçando chicotear os vendedores e cambistas, virando suas mesas, espalhando dinheiro e mercadoria pelos chão, causando prejuízos imensos aos negociantes, enquanto aos berros exclamava: “Está escrito, minha casa será chamada casa de oração, mas vocês a transformaram num covil de ladrões“ sem deixar ninguém passar por ali, estava com muita raiva. Quando disse aos seus discípulos: “oh, geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco, até quando vos suportarei”, estava claramente com raiva. Quando amaldiçoou a figueira, porque ela não tinha frutos, por não ser tempo de sua frutescência, e ele sabia disso pois fora criado no campo, num país agrícola, e a figueira secou, estava com raiva. Ou seja, a raiva é uma emoção física, da qual, nem os espíritos mais elevados, quando encarnados, escapam.
Ter raiva não é crime, é algo fisiologicamente natural, todavia, devemos meditar no ensinamento de um homem acostumado a ser tomado por raiva, muito facilmente: Paulo de Tarso: “Irai-vos, mas não pequeis! Não se ponha o sol sobre a vossa ira!
Aí reside o nó da questão: como ter raiva, ou ira, e não “pecar”? Enchendo a boca com água? É uma possibilidade. Sair correndo para a academia? Outra. Esmurrar um saco de areia? Ou bater numa almofada com uma raquete ou pedaço de pau? Tem sua serventia. Seja como for, o importante será desviar o curso da raiva, fazendo-a fluir, ou refluir, numa direção onde termine por esgotar a energia que a está dinamizando. Ou então, abaixar a cabeça e os ombros, num gesto clássico de desânimo, por dois minutos, apenas, pois assim o cortisol produzido vai contrabalançar a testosterona, que alimenta a raiva, servindo de antídoto e, portanto, evitando que cometamos atos dos quais venhamos depois a nos arrepender e culpar, o que seria muito pior!
Djalma Argollo
Salvador, dois de Julho de 2019.
Dia em que se comemora a Independência da Bahia. Pois nele as tropas baianas, comandadas por Pedro Labatut, venceram o Exército Português comandado por Luís Inácio Madeira de Mello, em Cabrito e Pirajá. Quando, finalmente as tropas baianas comandadas pelo general João de Souza Meira Girão, entrou e tomou a Cidade do Salvador, vindas de Pirajá pelo caminho que passou a se chamar Estrada da liberdade, enquanto o general Madeira fugia, derrotado, por mar
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