- Está
louco? Que som? – perguntou, escorregando para um buraco em um choupo caído.
O
pequeno rato meneou seus bigodes e ocupou-se novamente, decidido a esquecer o
assunto. Mas ele ouviu novamente o rugido. Era um rugido fraco, muito fraco,
mais estava lá! Um dia ele decidiu investigar o som, um pouquinho só. Deixando
os outros ratos atarefados, afastou-se um pouco e voltou a ouvir. Lá estava!
Ele estava escutando quando, de repente, alguém disse “olá”.
- Olá,
irmãozinho – disse a voz, e o rato quase saltou de sua pele. Arqueou as costas
e o rabo, preparando-se para fugir em disparada.
- Olá
– repetiu a voz – Sou eu, o irmão guaxinim. – E era mesmo! – O que você está
fazendo aqui sozinho, irmãozinho? – perguntou o guaxinim.
O rato
corou, e levou o nariz quase até o solo.
- Ouvi
um ruído em minhas orelhas e resolvi investigar – respondeu timidamente.
Um
ruído em suas orelhas? – repetiu o guaxinim – O que está ouvindo, irmãozinho, é
o rio.
- O
rio... O que é um rio?
-
Venha comigo e eu lhe mostrarei o rio - disse o guaxinim.
O
ratinho estava morrendo de medo, mas estava decidido a descobrir de uma vez por
todas o que era aquele ruído. “Posso voltar ao meu trabalho”, ele pensou,
“depois de resolver essa coisa, e talvez essa coisa me ajude em meu trabalho de
análise e coleta. E meus irmãos todos disseram que não era nada. Vou mostrar a
eles. Vou pedir ao guaxinim para retornar comigo, e eu terei a prova.”.
- Está
bem, guaxinim, meu irmão – disse o rato. – Leve-me até o rio. Vou com você.
O ratinho acompanhou
o guaxinim. Seu coraçãozinho batia forte em seu peito. O guaxinim conduziu-o
por caminhos desconhecidos, e o ratinho sentiu o cheiro de muitas coisas que
passaram por seu caminho. Muitas vezes teve tanto medo que quase retrocedeu.
Finalmente, chegaram ao rio! Era enorme e surpreendente, profundo e cristalino
em alguns pontos, e sombrio em outros. O ratinho não conseguia ver o outro
lado, porque ele era grande demais. Trovejava, cantava, bradava e retumbava em
sua trajetória...que me aconteceu.
- Vá, então – disse o sapo – Voltar para o seu povo... Guarde o som do rio feiticeiro no fundo da sua cabeça...
Rato Saltador retornou ao mundo dos ratos. Mas encontrou a decepção. Ninguém queria ouvi-lo. E como ele estava molhado e não podia explicar por quê, já que não havia chovido, muitos dos outros ratos ficaram com medo dele. Achavam que ele tinha sido cuspido por outro animal que tentara comê-lo. E todos sabiam que se ele não tinha servido de alimento para alguém que o quisera, então ele devia ser um veneno também para eles.
Rato Saltador voltou a viver com seu povo, mas não conseguia esquecer a visão das Montanhas Sagradas.
A lembrança ardia na mente e no coração do Rato Saltador, e um dia ele foi até a fronteira do... local dos ratos e olhou para o pradaria. Viu as águias do céu, que estava cheio de pontos, cada ponto uma águia e tomou a decisão de ir até as Montanhas Sagradas. Reuniu toda a sua coragem e correu o mais rápido que pode até a pradaria. Seu coraçãozinho retumbava de excitação e medo.
Correu até chegar ao canteiro do sábio. Estava descansando e tentando controlar sua respiração quando viu um velho rato. O canteiro do sábio... era um asilo para ratos. Havia ali muitas sementes e material de ninho, além de muitas coisas com as quais se ocupar. (continua)
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