- Por
favor, irmão lobo – disse Rato Saltador – Por favor, ouça-me. Eu sei o que pode
curá-lo. E um de meus olhos. E quero dá-lo a você. Você é um ser maior que eu.
Eu sou apenas um rato. Por favor, tome-o.
Mal o
rato disse essas palavras, seu olho saiu de sua cabeça e o lobo ficou bom.
Lágrimas
caiam pelas bochechas do lobo, mas seu irmãozinho não podia vê-las, pois agora
estava cego.
Você é
um grande irmão – disse o lobo. – Agora tenho minha memória, mas agora você
está cego. Eu sou o guia para as Montanhas Sagradas. Eu o levarei até lá. Lá há
um grande lago medicinal. O lago mais belo do mundo. O mundo inteiro está
refletido ali. As pessoas, as habitações das pessoas, e todos os seres das
pradarias e dos céus.
- Por
favor, leve-me até lá – disse o Rato Saltador.
O lobo
conduziu-o através dos pinheiros até o lago medicinal. Rato Saltador bebeu a
água do lago. O lobo descreveu-lhe toda a beleza do lugar.
-
Agora tenho de partir – disse o lobo –, pois preciso retornar para que possa
guiar os outros, mas permanecerei com você sempre que desejar.
-
Obrigado, meu irmão – disse Rato Saltador – Mas embora eu esteja assustado por
estar sozinho, sei que você deve partir para mostrar aos outros o caminho para
este lugar.
Rato
Saltador sentou-se, tremendo de medo. Não adiantava correr, pois ele estava
cego, embora soubesse que uma águia o encontraria ali. Sentiu uma sombra às
suas costas e ouviu o ruído que fazem as águias. Preparou-se para o choque. E a
águia atacou! Rato Saltador adormeceu.
Quando
despertou, a surpresa de estar vivo foi grande, mas agora ele estava
enxergando!
Tudo
estava indistinto, mas as cores eram belas.
- Posso ver! Posso ver! – disse Rato Saltador.
Uma
forma enevoada aproximou-se de Rato Saltador. Ele tentou enxergar melhor, mas
continuou vendo uma mancha apenas. Olá irmão, disse uma voz. – Quer um pouco de
feitiçaria?
Feitiçaria
para mim? – perguntou Rato Saltador. – Sim! Sim!
-
Então, abaixe-se o mais que puder – disse a voz – e salte o mais alto que
conseguir.
Rato
Saltador obedeceu às instruções. Agachou-se o máximo e saltou! O vento colheu-o
e levou-o para o alto.
- Não
tenha medo – disse a voz. – Agarre-se ao vento e tenha confiança!
Rato
Saltador obedeceu. Fechou os olhos e agarrou-se ao vento, que o levou mais e
mais para o alto. Rato Saltador abriu os olhos e eles estavam límpidos, e
quanto mais alto ele subia, mas límpidos tornavam-se seus olhos. Rato Saltador
viu seu velho amigo sobre um canteiro de lírios no belo lago medicinal. Era o
sapo.
- Você
tem um novo nome – disse o sapo – Você é uma Águia!
Versão
publicada em A Sabedoria do Mundo, de Philip Novak
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